Educar para a Competência Global

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Educar para a Competência Global

Na edição do mês de Março da revista Algo Mais, um artigo de Eduardo Carvalho foi publicado destacando a importância do inglês e das competências do século 21 para a formação de jovens e adultos preparados para o mercado global.


EDUCAR PARA A COMPETÊNCIA GLOBAL


A globalização intensificou-se nessa última década com a potencialização do sistema de comunicação través de redes sociais, o acesso mais rápido e abrangente peia internet e o desenvolvimento de plataformas de e-lerning. A transnacionalização das empresas foi marcante. As causas ambientais passaram a ser muito mais foco das discussões globais. O sistema de informação global foi aperfeiçoado e possibilitou a comparação do desempenho das nações através de inúmeros indicadores. A circulação de idéias, pessoas, mercadorias e capital ao redor do mundo foi acelerada. Redes internacionais de atividades, conhecimento e poder foram criadas.


Compreender a globalização é chave para reconhecer e responder às pressões do mundo dos negócios e da competitividade entre as nações. Esse processo resultou num aumento significativo da competitividade global que é avaliada pelo Fórum Econômico Mundial. Segundo essa entidade, em 2014 o Brasil estava em 57º lugar numa lista de 144 países. No ano seguinte (2015), caiu para a 75ª posição. Nossa imagem no contexto da competitividade agrava-se ainda mais ao considerar o indicador de qualidade do sistema educacional primário, no qual fomos avaliados entre os piores do mundo (129º lugar). Na avaliação do sistema educacional superior, ficamos em 126º lugar.


A análise do sistema educacional (escolas púbicas e privadas) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) confirma o resultado internacional. No País, para os anos finais do ensino fundamental, o indicador em 2005 era 3,5 (escala de 0-10), e na última avaliação divulgada, em 2013, foi 4,2. No ensino médio, o indicador patinou de 3,4, em 2005, para 3,7, em 2013.


A situação em Pernambuco não é diferente, mas melhorou nos últimos anos do ensino fundamental, com indicadores de 2,7, em 2005, para 3,8, em 2013. No ensino médio, evoluiu de 3,0 para 3,8, no mesmo período. Na última avaliação divulgada do Enem referente a 2014, das 620 escolas do ensino médio de Pernambuco (públicas e particular.), apenas cinco estão entre as 200 melhores do Brasil.


O cenário comprova que educação deve ser o topo das prioridades do País. Entretanto, as ações nesse setor devem compreender simultaneamente a melhoria radical do sistema de ensino básico/superior e a criação de um sistema que prepare o aluno para ser inovador e Globally competent (competente globalmente). Isso significa que o indivíduo deve ter competências e habilidades para compreender e atuar em questões com perspectiva global, interagindo com pessoas e empresas de vários países.


Essas pessoas são conscientes, curiosas, sabem fazer perguntas inteligentes e são motivadas a aprender sobre o mundo e como ele funciona. Esse processo de desenvolvimento é denominado de Global Education e tem em seu fundamento as habilidades do século 21: para vida e carreira; de aprendizado e inovação; e para informação e mídia. Desse conjunto, destacamos os 4Cs: a Criatividade, o pensamento Crítico, a Comunicação e a Colaboração.


O aluno se prepara para ser Globally competent através de um processo que compreende investigar o mundo; analisar cenários; comunicar ideias para diversas audiências; e agir/atuar transformando as ideias em ações adequadas para melhorar/solucionar o problema definido. Para isso, ele precisa desenvolver as habilidades do século 21 e dominar outros idiomas, fundamentalmente o inglês. Assim, poderá questionar atitudes e buscar as melhores práticas e referência no mundo através da participação em redes globais de conhecimento.


O Brasil é um país monolinguístico. Pesquisa do EF-Education First estimou que apenas 2% da população brasileira, cerca de 500 mil pessoas, comunicam-se em inglês fluentemente. Em Pernambuco, o Instituto Harrop confirmou esse indicador. Ou seja, apenas essa pequena parcela de brasileiros teria a competência para atuar profissionalmente em multinacionais e ser admitida em boas universidades de outros países.


Numa tentativa de mudar esse cenário, algumas escolas surgiram no mercado e se autodenominam bilingues, mas o modelo é tão somente instalar um curso de inglês num ecossistema longe de ser o necessário para preparar o aluno para ser Globally Competent. Muitas escolas reconhecem que o processo de educação bilíngue exige um ecossistema exclusivo, e delegam, de modo assertivo, o processo de ensino de idioma estrangeiro para a escola especialista.


No contexto dos cursos de inglês, o que se constata é a proliferação de cursos com apenas salas de aula, sem funções fundamentais para preparar o aluno para ser fluente no idioma e muito menos ser Globally Competent. Para esse processo ser bem sucedido, o centro educacional precisa estar interconectado com outras instituições no mundo; e estimular os alunos a pensar criativa e criticamente, compreender o mundo e discutir problemas globais.


O processo requer uma abordagem com ênfase em aprendizado através de projetos PBL (Aprendizado Baseado em Projetos). A instituição IB-International Baccaulaureate World Schools, com sede na Suíça, inovou com essa metodologia. Hoje, 4.267 escolas em 147 países fazem parte da rede. Em Pernambuco, há apenas uma escolada rede. São instituições bilín-gües e verdadeiras escolas globais.

Na escola tradicional, o currículo é voltado para o Enem. Não sobra tempo nas escolas do ensino médio para outras atividades. Em função desse foco, os alunos param de estudar inglês em cursos especializados no início do ensino médio e a grande maioria não retoma o desenvolvimento linguístico. Ficam, portanto, aquém da fluência exigida para o mercado globalmente competitivo.


No contexto universitário, o Brasil não tem nenhuma universidade entre as 200 melhores do mundo. E entre as 500, o país possui apenas três, segundo pesquisa recente da Times Higher Education, do Reino Unido. Participar de programas de intercâmbio, conhecer outros países, visitar museus e participar de conversas em família sobre assuntos globais enriquecem o saber do aprendiz.


Uma nação inovadora precisa produzir muitas idéias para resolver diferentes problemas; e precisa criar novos e melhores produtos, processos e serviços que outros países necessitem comprar. O país precisa de escolas-laboratórios onde os alunos aprendem conceitos, habilidades e valores mais do que fatos, tendo um conjunto de disciplinas eletivas. Precisamos preparar nossas crianças e jovens para Think, act and interact beyond the borders (pensar, agir, interagir além das fronteiras), tornando-se Globally competent.

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ABA Global Education

ABA Global Education é um centro educacional com serviços de ensino de idiomas, escola infantil e fundamental, orientação para estudos e carreira no exterior, escola de habilidades do século 21, laboratórios maker e de fabricação digital, treinamento para educadores e gestores, e centro de eventos para negócios.

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